TORRES DEL PAINE CIRCUITO O e W

O Parque Nacional Torres del Paine, localizado no sul do Chile, é um destino conhecido pelos amantes de trekking. Torres del Paine foi declarado como Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1978. O parque conta com inúmeras trilhas, e dois circuitos principais, chamados de O e W.

De fato, a melhor forma de explorar o parque é através de suas trilhas, pois as melhores paisagens só podem acessadas caminhando. Não por acaso, estão entre os trekkings mais importantes da América do Sul, sendo muito procurados por viajantes do mundo inteiro.

Se você quiser saber mais sobre o Parque Torres del Paine e todas as suas atrações, temos um post completo com todas as informações.

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Parque Torres del Paine / Foto: Algum Lugar na Terra

CIRCUITO W

O circuito W é assim chamado devido a sua forma no mapa, que representa um trajeto exatamente com o formato da letra W, e é a trilha mais conhecida de Torres del Paine. Classificado como um trekking de média distância, engloba a parte frontal do parque, sendo ele uma parte do circuito completo O.

Por ser um percurso mais curto quando comparado ao circuito O, ter mais infraestrutura e localizar-se em uma área mais plana, é a trilha mais realizada pelos visitantes. Para completá-la é necessário cumprir um trajeto de aproximadamente 75 km, o que leva normalmente de 4 a 6 dias, dependendo do seu preparo.

Porém, diferentemente do circuito O, é possível fazer alguns trechos da trilha sem precisar carregar todo o seu equipamento de camping, pois você poderá utilizar um refúgio como base para deixar sua mochila, o que facilita bastante a caminhada.

O circuito W engloba a parte frontal do parque, iniciando normalmente pelo refúgio Paine Grande indo em direção ao mirante do Glaciar Grey e retornando ao Paine Grande. Depois segue-se em direção ao Valle do Frances, subindo até os miradores Francês e Britânico e voltando. O percurso segue em direção a Los Cuernos, passando pelo Lago Nordenskjold, pelo Vale do Ascencio, indo em direção a base das Torres. Este último trajeto normalmente é feito desde o refúgio Las Torres. O mesmo circuito pode ser feito na direção contrária, ou seja, partindo de Las Torres.

CIRCUITO O

A trilha mais desafiadora de Torres del Paine, sendo considerada de longa distância e circunda todo complexo montanhoso, incluindo o circuito W, mais a parte posterior do parque, seu trajeto se assemelha a letra O, por isso o seu nome.

Para fazer o circuito completo e ir até os miradores são cerca de 117 km de caminhada. Durante o percurso você passará pelas florestas do lado norte do parque, refúgios Serón, Dickinson e Los Perros, além do Paso John Garner (ponto mais alto do circuito com 1.241 m) e o camping Grey, iniciando, a partir deste, o trecho que coincide com o circuito W. 

Embora no próprio site do parque tenha a informação de que a distância é de 93,2 km, nós fizemos o circuito O em fevereiro de 2017 e a distância percorrida real foi de 117 km (e não fomos até o mirador Britânico, somente até o Francês).

O trajeto que passa na parte posterior do parque é mais selvagem e com menor circulação de pessoas, o que torna a experiência ainda melhor, possibilitando centrar-se mais na paisagem e em nossas reflexões, permitindo um trajeto mais silencioso.

Para realizá-lo você precisará ter um bom preparo físico e persistência, além de barraca, saco de dormir, equipamentos de camping , além de levar a sua comida.

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Refúgio e Glaciar Dickson / Foto: Algum Lugar na Terra

É NECESSÁRIO CONTRATAR UM GUIA PARA FAZER AS TRILHAS?

Não é necessário. Nós fizemos todo o circuito O sozinhos e sem nenhum problema. As trilhas são bem demarcadas e mesmo quem não tem muita experiencia não terá como se perder.

É SEGURO FAZER OS CIRCUITOS O e W?

A CONAF (Corporação Nacional Florestal, órgão do governo chileno responsável pelos parques nacionais) oferece bastante estrutura e segurança. Quando nos deslocamos na trilha, existe um controle feito pelos guardas parque. Ao sair de um camping em direção a outro, eles anotam quantas pessoas saem, e no camping de destino verificam se todos chegaram até o final do dia. Se por acaso faltar alguém da lista, eles partem à procura dos atrasados.

Na parte mais difícil do circuito O, o Passo John Garner, um guarda fica por ali se certificando que todos passaram pelo local em segurança. Este ponto é considerado o mais difícil devido a uma subida exaustiva e por ser um local com ventos mais fortes, o que faz que em determinadas condições climáticas fique fechado.

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Circuito O, Trajeto entre Séron e Dickson / Foto: Algum Lugar na Terra

PLANEJAMENTO

Qual circuito fazer?

Esta decisão vai depender da sua disposição e preparo físico. O percurso não inclui regiões de altitude elevada, o que facilita bastante, porém, ainda assim exige-se bastante das pernas. O peso da mochila, com mantimentos, roupas e equipamentos de camping é outro ponto importante, pois para fazer o circuito O terá que levar mais carga.

  • Circuito W – essa trilha exige boa disposição e preparo para caminhar com peso nas costas, porém com um pouco menos de carga e por um período mais curto que o circuito O. Além disso, o que o torna mais fácil de ser feito, é o fato de possuir menos trechos de subida. As exceções são os trajetos para chegar ao Mirador Britânico e ao Mirador da Base das Torres, mas estes trechos normalmente são realizados sem mochilas, pois os campings que os precedem ficam em locais mais baixos, e são onde podemos deixar as mochilas mais pesadas.
  • Circuito O– O percurso precisa de mais preparo devido a sua extensão ser maior, ter trechos com fortes subidas, e o fato de nossas mochilas normalmente estarem mais pesadas, levando mantimentos e roupas para um período mais logo. Caminha-se cerca de 10 km a 18 km por dia. Os campings que fazem parte dos trechos exclusivos do circuito O, na parte posterior do parque, possuem menos estrutura. Quando fizemos a trilha, o camping Los Perros não tinha água quente para tomar banho, e o Paso, não tinha chuveiro. Por outro lado, passamos por paisagens realmente incríveis, que só são vistas no cicuito O, como o Paso John Garner, onde podemos avistar pela primeira vez o Glaciar Grey de cima.

Quanto tempo preciso?

O tempo dependerá muito do seu preparo e do seu ritmo de caminhada. Não basei-se somente pelas distâncias e tempos indicados nos mapas do parque. Este foi um erro que cometemos, planejamos fazer em 7 dias o circuito O, mas acabamos levando 9 dias. Quase fomos impedidos de continuar na trilha, mas depois de muita conversa com um guarda parque, conseguimos resolver a questão das nossas reservas, e conseguimos prosseguir.

Nós fizemos o percurso em um ritmo tranquilo, sem correr, descansando um pouco ao longo do trajeto, sentando para fazer um lanche e seguindo viagem. Na média caminhamos 13 km por dia.

No geral, leva-se para completar os circuitos:

  • Circuito O– de 8 a 12 dias
  • Circuito W– de 4 a 6 dias

Como chegar ao Parque Torres del Paine?

Para chegar ao Parque e iniciar a sua trilha, primeiro precisará chegar na cidade de Puerto Natales, 100 km distante da entrada do Parque. De Puerto Natales saem ônibus diários que fazem o percurso, cerca de 100 km realizados em 2h aproximadamente e costumam sair de manhã cedo, 7h30.

A cidade normalmente está repleta de mochileiros se preparando para iniciar a trilha ou voltando dela, por isso, é lá que normalmente compramos alguma coisa de equipamento que precise para acampar e os suplementos, como botijas de gás descartáveis e comida para levar. Nós ficamos dois dias na cidade antes de iniciarmos a trilha e mais um dia na volta para descansar.

Por onde começar a trilha?

  • Circuito O– se fizer o circuito O, iniciará pela Portería y Guardería Laguna Amarga, indo do Hotel e Refúgio Las Torres em direção ao camping Serón. Neste circuito existe um trecho que não deve ser feito no sentido oposto (Passo John Garner). Outra opção menos comum seria iniciar pelo Paine Grande em direção a Las Torres e seguir para o Camping Serón.

  • Circuito W– já o circuito W pode ser feito iniciando tanto do Hotel e Refúgio Las Torres em direção ao Paine Grande quanto no sentido contrário, iniciando pela Guardería Paine Grande em direção a Las Torres, usualmente essa é a maneira mais realizada pelos turistas.
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Camping Los Cuernos / Foto: Algum Lugar na Terra

Como montar seu roteiro?

A forma mais lógica de planejar o seu roteiro é sempre pensar qual será o seu percurso do dia, que normalmente é de um camping a outro. Na parte do circuito O fizemos exatamente isso, nosso trajeto sempre era de um camping até o próximo. Com o mapa em mãos, você deverá entrar no site das empresas que administram os campings e ir testando as datas para ver se tem vagas.

Essas vagas são muito limitadas, assim será necessário reservar com antecedência. E não pense que consiguirá reservar quando chegar ao parque, isso não é possível. Por isso recomendamos pelo menos 6 meses de antecedência. Os campings administrados pela CONAF são gratuitos, e por isso, esgotam-se rapidamente.

As duas empresas privadas que administram os campings do parque são a Vertice Patagonia e a Fantástico Sur, além da CONAF. O destaque negativo vai para a Vertice Patagonia, que quando fomos, prestou um péssimo serviço, começando pelo sistema de reservas, que sempre dava erro, pelo atendimento nos campings e pela má vontade para reseolver qualquer problema.

Torrres del paine mapa campings
Mapa de Campings e Refúgios em Torres del Paine / CONAF

O QUE LEVAR

O mais importante que podemos dizer é que tudo deve ser o mais leve possível, pense nisso durante todo o seu planejamento. Cada grama desnecessária na sua mochila pode atrapalhar e dificultar muito a sua caminhada.

Outro ponto importante é ter bons equipamentos, não estamos falando de valor, mas de qualidade, pois neste tipo de viagem, é realmente importante estar seguro de que não vai passar trabalho e deixar de aproveitar. Itens muito importantes são as botas de trekking e uma boa barraca.

Mesmo pensando em diminuir o peso, a minha mochila cargueira (Raquel) pesava em torno de 11kg, e a do Marauê em torno de 16kg. Estávamos cada um com uma mochila grande nas costas e uma pequena na frente com outros 5kg, onde levamos coisas de mais fácil acesso, como a máquina fotográfica e lanche para o caminho.

Os campings pagos alugam barracas, saco de dormir e colchonete e alguns possuem refúgios com cama.  Os 2 administrados pela CONAF, não possuem essas opções. Então, embora exista a possibilidade de alugar o equipamento, na nossa opinião não vale a pena.

Equipamentos

  • Mochila cargueira– Este é item super importante, uma mochila deste tipo distribui o peso em todo o seu tronco, sem sobrecarregar os ombros, o que faz com que diminua o peso e o cansaço. Este não é um investimento que você fará somente para esta trilha, com certeza, para qualquer viajante facilita muito a vida. Depois de comprarmos nossas mochilas, nunca mais viajamos sem elas devido a sua praticidade.
  • Capa de chuva para a mochila– Indispensável. Não deixe de levar uma capa para a sua mochila, item essencial para evitar de molhar sua roupas. Além disso, sem a capa, em caso de chuva, sua mochila irá reter muita água, aumentando o peso.
  • Barraca– Leve uma boa barraca, e para uma trilha isso significa uma barraca leve e à prova d’água.
  • Saco de dormir– Pela primeira vez adquirimos um saco de dormir, e para essa trilha é imprescindível, pois o saco de dormir é bem mais leve que um cobertor comum e mantém o calor do corpo com mais facilidade. Compramos um modelo que suporta até 0°C, mas mesmo assim usávamos uma roupa quente para dormir.
  • Colchonete isolante térmico– são importantes para não deixar passar o frio do chão. Compramos os nossos em Puerto Natales.
  • Lanterna – outro item muito importante.
  • Fogareiro– Compramos um pequeno fogareiro que se fecha e fica bem pequeno e para funcionar é só rosquear na botija de gás descartável. Ele é leve e compacto, foi bastante prático.
  • Gás– Compramos 2 botijões descartáveis de 230g e usamos 1 e meio em 9 dias.Foram comprados em Puerto Natales, já que não podem ser transportados no avião.
  • Isqueiro
  • Panela– Compramos uma pequena panela de alumínio, sem cabo, leve e compacta.
  • Canecas– Levamos 2 canecas de inox que utilizamos para fazer chá e café, e podiam ser usadas diretamente no fogo. Também adquiridas em Puerto Natales, onde há muitas lojas que vendem e alugam todo o necessário para camping.
  • Talheres– este é um item bem simples, leve o que tiver em casa se quiser, existem inúmeras opções em plástico ou em metal, próprios para camping, uns são dobráveis.
  • Canivete– É importante ter uma boa faca para cortar, um canivete já resolve bastante. Só não esqueça que ele tem que ser despachado no avião.

Roupas

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  • Botas– Com certeza algo que merece muita atenção. Como passará vários dias na trilha, é importante ter uma bota de qualidade, de preferência impermeável, leve e de cano mais alto. Vale a pena investir em uma boa marca. Além disso, leve um outro tênis de reserva, caso molhe as botas, ou tenham algum problemas com elas. Isso ocorreu com a gente, a bota do Marauê (da North Face) soltou a sola no segundo dia de trilha. O que salvou foi o tênis reserva.
  • Jaqueta corta vento– A jaqueta corta vento dispensa muitas justificativas, ela vai salvar no frio, no vento e se for impermeável melhor ainda, pois as chuvas podem aparecer a qualquer momento durante o dia.
  • Capa de chuva– Se a sua jaqueta corta vento não for impermeável recomendamos levar uma capa de chuva. Normalmente se encontram capas, que dobradas, não ocupam nada de espaço.
  • Blusa térmica de fleece– As blusas de fleece mantém o corpo quente e garantem que a gente não passe frio.
  • Calça térmica – outro item importante para os dias mais frios.
  • Touca e cachecol– Proteger a cabeça é muito importante, pois é por ela que perdemos a maior parte do calor do corpo. Nos dias mais frios costumávamos dormir com a touca. O cachecol protegerá o pescoço nos dias de mais vento.
  • Meias– Boas meias térmicas de trilhas também ajudam muito a proteger os pés, que serão muito exigidos durante estes dias.

Comida

Na hora de pensar nos mantimentos que vai levar é importante pensar no peso, novamente. Nós costumamos comer muitas frutas, mas não dava para carregar frutas em natura para 9 dias na mochila, por isso, levamos frutas desidratadas, castanhas, nozes e amêndoas.

Dê preferência a itens leves e que possam ser cozidos em pouco tempo, assim também não precisará muito gás. Itens como macarrão instantâneo, sopas de pacote, biscoitos, café solúvel, chás, chocolate, tudo o que tiver menos peso e pouco volume, e que puder dar energia. Neste caso não há muito como fazer as refeições mais saudáveis exatamente. Se precisar comprar alguma coisa, nos campings maiores tem alguns itens a venda, mas custa bem mais caro e não há muitas opções.

Não pense que conseguirá fazer três grandes refeições por dia, pois só é possível cozinhar nas áreas destinadas a isso dentro dos campings. Como passávamos o dia inteiro caminhando, normalmente tomávamos café da manhã, comíamos alguma coisa fácil durante a trilha e depois, ao chegar no camping, cozinhávamos o nosso “almorcena” (almoço + janta).

Não se preocupe com água, apenas leve uma garrafinha, pois ao longo da trilha você terá acesso a água da melhor qualidade vindo diretamente das geleiras. Passará por muitos rios durante o dia ao longo da trilha.

Torres del Paine Comidas para trilha
Mantimentos para 9 dias de trilha / Foto: Algum Lugar na Terra

Pequena farmácia e outros itens

  • Papel higiênico– Não esqueça do papel higiênico, você também precisará levar.
  • Sacolas plásticas– Muito importante, pois você terá que carregar seu lixo do dia todo até chegar no próximo camping. Além disso, é importante para guardar a comida, separar roupas sujas dentro da mochila ou proteger algo da chuva.
  • Lenços umedecidos– Durante o circuito O tivemos que ficar 2 dias sem banho, nesses casos o lencinho pode ajudar.
  • Analgésico – paracetamol ou outro que esteja acostumado a tomar.
  • Curativos– Band Aid, gaze e esparadrapo.
  • Pomada para contusão ou dor muscular– levamos Diclofenaco Dietilamônio. Esta pomada salvou um amigo que fizemos na trilha, graças a nossa pomada e um comprimido de paracetamol ele conseguiu continuar. Estava com muita dor no joelho, mas precisava chegar até o próximo camping. No dia seguinte, mais pomada e paracetamol, e isso aliviou muito suas dores e ele conseguiu completar o circuito O. No último dia, veio nos trazer uns chocolates de agradecimento.
  • Agulha e antisséptico– Sem a agulha teria sido difícil continuar a caminhar depois de estar com uma bolha em cada dedo dos pés, após o segundo dia de trilha. Depois do banho furamos as bolhas e fizemos um curativo. Isso aliviou muito as dores.
  • Floratil– Nunca viajamos sem este tipo de medicação para regular a flora intestinal em caso de alguma comida fazer mal.

QUANTO CUSTA

A entrada do parque pode ser comprada diretamente na portaria, onde aceita-se somente dinheiro (dólar, euro e peso chileno), e na baixa temporada somente peso chileno.

O ingresso também pode ser comprado na rodoviária de Puerto Natales , somente aceita-se o pagamento em cartão de crédito ou débito.

Após comprar o ingresso você fará um registro com todos os dados, mencionando os dias que ficará no parque e que atividades irá realizar. Então receberá todas as instruções sobre as regras do parque em uma sala, antes de poder de fato ingressar.

Preço da entrada do Parque [2020]

  • Adultos maiores de 18 anos- $25.000
  • Adolescente de 12 a 17 anos- $12.500
  • Adultos maiores de 60- Entrada Gratuita
  • Voucher para mais de 3 dias- $35.000

NOSSO ROTEIRO

Depois de 2 dias em Puerto Natales nos preparando para a trilha, comprando comida e o restante do equipamento, estávamos prontos para começar. Iniciamos o circuito O pela Portería y Guardería Laguna Amarga, onde chegamos de manhã, em torno das 9h30, e após passamos pelos trâmites de instruções em uma sala, conferiram nossas reservas e fomos liberados para começar a caminhada.

O que justifica os nossos erros de planejamento e diferenças de quilometragem presentes nos mapas oficiais, já que pelo mapa contabilizamos fazer o percurso em 7 dias. Enquanto avançávamos no trajeto, vimos que seria necessário mudar o plano e tivemos que falar com algumas pessoas do parque, pois não havia condições de chegar do Camping Serón até o Camping Los Perros de uma vez só, nem do Los Perros até o Grey, como parecia ser possível pelas informações do mapa, pois a partir de certo horário é proibido seguir de um ponto ao outro.

Dia 1

Do Refúgio Las Torres ao Camping Serón = 9 km e 6h30 de caminhada

A trilha inicia-se com um trecho de subida, em uma área descampada. O nosso primeiro dia começou com chuva desde a fila da entrada do parque, caminhamos o dia inteiro na chuva. Ainda estávamos nos adaptando à caminhada e ao peso das mochilas, então foi um dia bastante cansativo. Também foi o dia com menos paisagem para admirar.

Quando chegamos no camping Séron descobrimos que metade das minhas roupas (Raquel) estavam molhadas e tivemos que ensacar o que ainda estava seco para não misturar. Por isso, a importância de uma boa capa de chuva para a mochila. O camping Serón possui 2 banheiros com chuveiro e água quente (um feminino e um masculino), além de uma área para cozinhar.

Dia 2

Camping Serón ao Camping e Refúgio Dickson = 18,5 km e cerca de 9h de caminhada

Este foi o trecho que mais cansamos, o dia começou com uma considerável subida. Neste dia, o Marauê começou a ter bolhas, e caminhou os últimos km com uma em cada dedo do pé. Além disso, com a sola da bota nova soltando. Eu estava com bastante dor nos ombros porque não tinha ajustado direito as alças da mochila. Mas foi um dia de lindas paisagens, avistamos também Condores no início da trilha, após o trecho de subida.

O plano original era ir até o camping Los Perros. Enquanto avançávamos no trajeto, vimos que seria necessário mudar o plano e tivemos que falar com algumas pessoas do parque, pois não haveriam condições físicas para chegar do Camping Serón até o Camping Los Perros. Fomos muito mal atendidos pela empresa Vertice Patagonia que administra o camping Dickson, que queriam que a gente retornasse no dia seguinte.

Nossa sorte foi ir falar com o guarda parque responsável por aquela região de Torres del Paine. A nossa reserva para o camping Los Perros ficou com um dia de atraso, além de não possuirmos reserva para o Dickson, pois pretedíamos ir até o Los Perros, pois nos baseamos no tempo estimado no mapa oficial do parque. Enfim, conseguimos continuar no dia seguinte porque tínhamos todas as reservas para os demais dias, e pela boa vontade do guarda parque.

O camping Dickson possui 4 banheiros e chuveiros com água quente (2 femininos e 2 masculinos), além de uma espaçosa área coberta para cozinhar. Neste local há alguns itens para comprar. Esse camping fica em um local lindo, à beira de um rio e uma geleira.

Dia 3

Camping Dickson ao Camping Los Perros= 9 km e cerca de 6h de caminhada

Já neste dia o caminho foi muito mais tranquilo, acredito que foi o mais rápido e de menor dificuldade durante a trilha, apesar do início cansativo devido a uma subida. Neste trajeto passamos pelo lindo glaciar Los Perros.

O camping Los Perros tem banheiro e chuveiro, mas NÃO tem água quente. A área de cozinha é toda fechada. Há alguns itens a venda também.

Dia 4

Camping Los Perros ao Camping Paso = 12 km e cerca de 8h de caminhada

Um dos dias mais difíceis da trilha, antes de se aproximar do Paso John Garner precisamos subir bastante. Andamos por terrenos diferentes, uma área com muitas pedras soltas. Sobe-se 600 m e desce 800 m, passando pelo Paso John Garner, onde o vento que sopra do glaciar é tão forte que tem que caminhar abaixado em alguns trechos, trazendo um frio congelante. Ao chegar neste ponto mais alto fomos recebidos com uma neve fina. A descida é tão difícil quanto a subida, temos que redobrar os cuidados porque é fácil escorregar ou machucar os joelhos com o impacto de cada passo.

Porém, é um dia de grandes belezas e paisagens, principalmente quando avistamos o Glaciar Grey pela primeira vez a partir do Paso. Caminhamos boa parte deste trecho ao lado do glaciar, de onde continuava soprado um vento gelado, porém o cenário nos fazia esquecer do frio.

O camping Paso é gratuito, e possui uma área bastante pequena, o banheiro é apenas uma casinha de madeira com um buraco no chão para fazer as suas necessidades e uma corda para se segurar. NÃO tem chuveiro nem água quente. Área de cozinha também é pequena e não tem nada para vender. Soubemos que atualmente foi instalado um vaso sanitário.

O frio era tanto naquele momento que abrimos nossas mochilas pequenas para colocar todos os acessórios que tínhamos a mão para nos proteger, e só foi possível ficar poucos minutos ali, devido a força do vento e o frio que parecia cortar. A descida é tão difícil quanto a subida, tem que redobrar os cuidados porque é fácil escorregar.

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Torres del Paine Circuito O, Glaciar Grey / Foto: Algum Lugar na Terra

Dia 5

Camping Paso ao Camping Grey = 10 km e cerca de 7h de caminhada

O trajeto continua descendo por 400 m caminhando ao lado do glaciar, mas a descida não é tão íngreme, passamos por 2 pontes suspensas, uma delas realmente muito alta e após 10 km de trilha, chegamos no camping Grey, o mais movimentado desde o início de nosso circuito, pois há nesse camping pessoas que estão fazendo o W. Felizmente foi possível tomar um banho quente depois de 2 dias. Montamos logo a nossa barraca e fomos para a fila do banho.

O camping Grey tem muito mais estrutura, tem banheiro e chuveiros com água quente (4 femininos e 4 masculinos). A área de cozinha é toda fechada e climatizada. Há também um refúgio, com camas em quartos compartilhado, além de uma vendinha com comida e bebidas.

Dia 6 ( trecho onde incia o Circuito W)

Camping Grey ao Camping Paine Grande = 11 km e cerca de 6h de caminhada

A partir deste ponto a trilha começa a ficar bem mais movimentada, pois coincide outras pessoas que estão fazendo o circuito W, ou foram passar dia no parque e estão fazendo um bate-volta a partir do camping Paine Grande (onde é possível chegar de barco), já que está próximo a uma das entradas do parque. Neste trecho há ótimos pontos para fotografar o Glaciar Grey.

O Camping Paine Grande é um dos maiores e o mais bonito, na minha opinião. Tem banheiros e chuveiros com água quente, limpos e organizados. A área de cozinha é enorme e toda fechada. Há local para comprar comidas e bebidas.

Torres del Paine: campingPaine Grande
Torres del Paine Circuito O e W, Camping Paine Grande / Foto: Algum Lugar na Terra

Dia 7

Camping Paine Grande ao Mirador Francês e depois até Camping Los Cuernos = 16,5 km e cerca de 9h de caminhada

Saímos do Paine Grande e a trilha estava bastante movimentada, nem se compara ao silêncio dos trechos na parte de trás do parque. Acredito que foi o dia que mais vimos pessoas na trilha. A trilha segue com o Lago Nordenskjold e suas águas azuis turquesa, à nossa direita. Esse é um trecho relativamente plano. Chegamos no camping Italiano, deixamos nossas mochilas com os guarda parques e subimos até o Mirador Francês. Voltamos, pegamos nossas coisas e seguimos nosso caminho.

Como já estávamos há muitos dias na trilha, ficamos todo o trajeto conversando e imaginando o que seria a janta oferecida no Refúgio Los Cuernos, pois para reservar esse camping era obrigatório comprar a janta. Montamos a barraca, tomamos banho e fomos jantar.

O Camping Los Cuernos é um local também de boa estrutura com banheiro, chuveiros com água quente e restaurante. As barracas ficam em plataformas individuais de madeira.

Dica importante – se conseguir vaga, tente dormir no camping do Italiano, será menos cansativo, pois fica 5,5 km antes do Los Cuernos, e você vai economizar, já que o camping é gratuito.

Torres del Paine: lago Nordenskjöld
Torres del Paine Circuito O e W, Lago Nordenskjold / Foto: Algum Lugar na Terra

Dia 8

Camping Los Cuernos ao Camping Las Torres = 12 km e cerca de 6h a 7h de caminhada

Na manhã seguinte, tomamos café oferecido no refugio (mais um pequeno luxo que tivemos incluído na nossa reserva), desmontamos a nossa barraca e um“lunch box” nos foi entregue para seguir viagem. Esse é um trecho relativamente plano, com algumas partes de subida. Tivemos que atravessar um, onde foi necessário tirar a botas e passar com águas geladas até os joelhos.

Chegamos no camping Las Torres, montamos a nossa barraca e resolvemos ir tomar um chocolate quente na cafeteria que existe na entrada do parque como recompensa por termos chegado de onde havíamos partido 8 dias antes. No dia seguinte completaríamos o circuito com a ida e volta do Mirador da Base das Torres,.

O camping Las Torres é o maior do parque, também com boa estrutura, banheiros com chuveiro e água quente, área para cozinhar ao ar livre e local para comprar. O seu complexo conta ainda com um grande hotel e uma cafeteria com souvenirs.

Dia 9

Camping Las Torres ao Mirador Base das Torres (ida e volta) = 19 km e cerca de 9h de caminhada

O último dia também foi bastante puxado, mas com a tranquilidade de não carregar o peso de nossas mochilas. Acordamos, arrumamos nossas coisas, desfizemos acampamento e deixamos nossos pertences com os guarda parques, e iniciamos a trilha. Esse é um trecho onde encontra-se bastante turista, pois é possível fazer apenas esse trecho, sem pernoitar no parque, além de ser o cartão postal.

Iniciamos a trilha com uma forte subida, depois descemos, cruzamos um rio, passamos por uma floresta, e voltamos a subir. A última parte da trilha é mais íngreme em um terreno com pedras soltas. Enfim, chegamos nas magníficas Torres del Paine, as fotos não conseguirão traduzir um lugar tão belo. Ficamos por lá, umas duas horas admirando a paisagem e regressamos. Pegamos nossas mochilas, e fomos esperar o ônibus que iria nos levar de volta à Puerto Natales.

Torres del Paine circuito o
Mirador Base das Torres / Foto: Algum Lugar na Terra

DICAS

1 – Não confie 100% nas marcações de tempo e distância do mapa oficial do parque, embora seja um ótimo mapa, use-o como guia, mas sempre estime para mais o tempo que terá que caminhar por dia.

2 – Em caso de qualquer necessidade ou contratempo dentro do parque, procure um guarda parque de preferência, ao invés que tratar com algum dos funcionários dos campings.

Esta viagem à Torres del Paine (temos outro post onde contamos mais sobre o parque) foi incrível e ficará na nossa lembrança para sempre. Temos ótimas recordações dessa trilha, muitos momentos com a cabeça leve, pensado somente em cada passo que dávamos, aproveitando aquele exato momento, sem saber muito o que esperar no próximo dia, sem energia elétrica, sem celular, sem nenhum conforto ou luxo.

No fim do dia, achávamos a nossa barraca a melhor cama do mundo e aquela refeição era apreciada como se fosse um banquete. A sensação de completar o circuito e perceber que se é capaz de realizar algo desafiador é fortalecedora. Estar completamente presentes do momento, desconectados e isolados em meio a natureza nos mostrou efetivamente o quanto precisamos de pouco para sermos felizes.

Cada dia valeu muito a pena, foi uma das melhores experiencias que já tivemos. Esse parque o sul do Chile é realmente um paraíso para os amantes da natureza.

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